Mostras virtuais levam internautas a conhecer acervos de instituições de todo o mundo



No Brasil, exposição mais recente na rede é de Ouro Preto. O cuidado para preservar obras de arte impõe certos limites aos visitantes das mostras, que nem sempre são agradáveis. Exemplo: é praticamente impossível se aproximar das pinturas para ver seus detalhes. E essa distância mínima exigida incomoda muita gente. O mesmo vale para esculturas, que muitos gostariam de tocar, e para objetos que aguçam a vontade de interagir. Boa opção para alimentar a curiosidade sem colocar as peças em risco é a disponibilização de acervos de alguns dos principais museus do mundo para visitas virtuais na internet.

A tendência chegou no Brasil. Internacionalmente, quem está à frente é o Google Arte Project, ferramenta on-line que permite, atualmente, a visitação virtual a 155 coleções pertencentes a algumas das principais instituições do planeta. O mecanismo permite “caminhar” pelo interior das galerias observando detalhes até então restritos aos funcionários e ao pessoal especializado. Para levar as cenas para a rede mundial de computadores foi usada alta tecnologia: um carro percorreu espaços como o MoMA, de Nova York, o Museu Van Gogh, em Amsterdã, a Tate Britain e a National Gallery, de Londres, produzindo imagens em 360 graus (em torno das peças tridimensionais). Os acervos foram fotografados com câmeras de alta resolução e as imagens estão acompanhadas de informações como títulos originais, ano de criação e dimensões exatas.

No Brasil, um dos projetos que tem levado instituições para a internet é o Era virtual. A iniciativa, liderada por equipe de designers mineiros, já colocou à disposição acervos de 13 importantes museus do país. O mais novo da lista é o Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, que acaba de entrar no ar. Além de disponibilizar imagens registradas por fotografias e textos informativos em quatro idiomas, o projeto tem um diferencial: a ferramenta do audioguia. Com um clique, o internauta consegue apreciar acervos de 10 museus mineiros, como o Museu de Artes e Ofícios (BH) e o Museu do Diamante (Diamantina). Há ainda a opção de realizar visita guiada ao Museu da República (Rio de Janeiro) ou à Casa de Cora Coralina (Goiás).

O projeto, criado com recursos das leis de incentivo à cultura e apoio da iniciativa privada, nesta primeira etapa, convidou instituições para ter seus acervos registrados virtualmente. O objetivo foi ampliar o alcance sociocultural das exposições, a partir da modernização da linguagem e democratização do acesso. A ideia nasceu quando Rodrigo Coelho, um dos idealizadores do projeto, observou o quão efêmeros eram os projetos de exposições em festivais culturais. “Eram despendidas enormes quantias de dinheiro público para mostras que duravam pouco tempo. Por mais que fotografássemos e filmássemos, perdia-se muito no processo”, conta. Em 2008, durante a Bienal de Design, ele recebeu encomenda de projeto de visita virtual à exposição. “O resultado foi tão bom que surpreendeu todos. Assim, começamos a registrar outros acervos a partir da exposição Olhar viajante, da Casa Fiat de Cultura”, diz.

A possibilidade de acessar os acervos tem ampliado o alcance dos museus e gerado mais curiosidade sobre eles. “Depois que colocamos os acervos na internet, aumentou a visita presencial, pois as pessoas se sentiram estimuladas a conhecê-los de perto”, revela. No processo de transposição dos conteúdos para a internet, a Era virtual não trabalha o conteúdo. Quem fornece as informações são as instituições. O que eles têm feito é detalhar, com recursos virtuais, alguns conteúdos. No Museu da Inconfidência, por exemplo, será possível desmontar um relógio histórico que teria pertencido a Tiradentes ou ver bem de perto as esculturas. “A intenção é que as pessoas consigam perceber a riqueza de detalhes de algumas peças”, conclui.

O Museu da Inconfidência foi inaugurado em 1944 com o objetivo de colecionar, pesquisar e expor objetos relacionados à Inconfidência Mineira e aos principais fatos históricos da sociedade de Minas dos séculos 18 e 19. Símbolo da construção da identidade mineira, o espaço, idealizado durante o governo Getúlio Vargas, buscava, desde o início, resgatar e conservar a lembrança de um país pouco preocupado com a preservação de suas raízes. Se nos primeiros anos a preocupação foi construir uma representação cenográfica daqueles tempos, nas últimas décadas a instituição passou por ampla transformação museológica, que ampliou seu significado e simbolismo.

Na internet, o público pode acessar boa parte do conteúdo gerado na instituição. A visita virtual é baseada na exposição de longa duração. Com a nova tecnologia, os dirigentes da instituição esperam ampliar ainda mais a visitação do lugar, que atualmente chega a 150 mil pessoas por ano. Acesse os links para visita virtual a museus: No Brasil www.eravirtual.org No mundo www.googleartproject.com

Fonte: Jornal EM

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